Leitura em voz alta: a literatura em diálogo com o meio ambiente
A cultura também pode ser uma forma de agir diante da emergência climática. Foi a partir dessa perspectiva que o projeto de extensão Leitura em Voz Alta, ligado ao Instituto de Letras da UFRGS, decidiu participar da Semana Lixo Zero 2026, aproximando literatura, cultura e questões ambientais.
Coordenado pela professora Luiza Milano (UFRGS), o projeto existe há mais de dez anos e reúne pessoas interessadas no compartilhamento da voz e na escuta de textos literários. Nos encontros semanais, os participantes se reúnem para ler em voz alta, na íntegra, obras clássicas e contemporâneas.
Para conhecer melhor essa iniciativa e entender como a literatura pode dialogar com as questões ambientais, conversamos com Gibran Ayub, integrante do projeto Leitura em Voz Alta e proponente, junto ao projeto, de uma atividade da Semana Lixo Zero 2026.

Um encontro de pessoas e ideias
Gibran conta que o Café com Atitude foi, além de um momento de encontro entre pessoas engajadas em diferentes frentes da causa ambiental, uma oportunidade para criar novas conexões.
“O Café com Atitude, além de ser um momento muito bonito de reunião de pessoas engajadas com a causa ambiental em frentes variadas, foi também muito produtivo para criarmos conexões entre nós.”
A experiência mostra que a pauta ambiental não precisa estar restrita a projetos diretamente ligados à reciclagem, à gestão de resíduos ou à preservação ambiental. Ela pode atravessar diferentes áreas, incluindo a educação, a arte e a literatura.
Quando a literatura encontra a emergência climática
Essa aproximação com as questões ambientais não começou agora. Em 2024, no período posterior às enchentes que atingiram Porto Alegre, o Leitura em Voz Alta escolheu para suas leituras o romance A extinção das abelhas, da escritora gaúcha Natalia Borges Polesso.
A obra aborda o colapso ambiental do planeta e, naquele momento, a escolha do livro ganhou um significado especial. Para o projeto, a leitura foi uma forma de responder à tragédia vivenciada pela cidade e de assumir uma posição diante do debate sobre as emergências climáticas e a construção de um futuro mais sustentável.
A literatura, nesse contexto, deixa de ser apenas uma experiência estética ou individual. Ela também pode ser um espaço para compreender o mundo, compartilhar inquietações e imaginar outros futuros.
Foi nesse mesmo caminho que o projeto decidiu participar da Semana Lixo Zero.
“Com a participação na Semana Lixo Zero, buscamos seguir nessa mesma linha, num entendimento de que esse é um debate que interessa a todos nós, em todas as áreas do conhecimento, e de que a construção de um mundo melhor também passa pela promoção da cultura.”
Leitura em voz alta e Lixo zero 2026
Em 24 de outubro de 2026, às 10h30, o Leitura em Voz Alta estará na Redenção, em Porto Alegre, como parte da programação da Semana Lixo Zero 2026.
A atividade será uma oportunidade de levar a leitura em voz alta para o espaço público e, mais uma vez, criar um encontro entre literatura, pessoas e reflexão sobre o mundo que queremos construir.
📍 24/10/2026 — 10h30 — Redenção
O local exato da atividade será divulgado pelas redes sociais da Semana Lixo Zero. Para acompanhar as informações e conferir a programação atualizada, fique de olho no Instagram da Semana Lixo Zero Porto Alegre.
A leitura em voz alta terá como inspiração Mundo Impossível, coletânea de 15 contos de ficção especulativa, poética e pós-colonial da médica e pesquisadora da USP Mayara Floss, publicada pela Editora Coragem em 2024. As histórias imaginam futuros possíveis e cenários distópicos atravessados pelas mudanças climáticas, pela degradação ambiental e pelas relações entre humanidade e natureza, convidando à reflexão sobre o presente e sobre os caminhos que estamos construindo para o planeta.

FLOSS, Mayara. Mundo impossível. Porto Alegre: Editora Coragem, 2024. Disponível em: https://www.editoracoragem.com.br/product-page/mundo-impossível.
Sustentabilidade também é construir conexões
A aproximação entre o Leitura em Voz Alta e a Semana Lixo Zero aconteceu por meio de relações já construídas e também pelo acompanhamento do trabalho desenvolvido pela organização.
Segundo Gibran, alguns integrantes do projeto já conheciam pessoalmente membros da organização da Semana, enquanto o grupo também acompanhava, especialmente pelas redes sociais, as ações realizadas. Essa aproximação acabou criando uma oportunidade para colocar diferentes experiências em diálogo.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das forças do movimento Lixo Zero: entender que a transformação não acontece a partir de uma única área, mas da conexão entre pessoas, conhecimentos e iniciativas.
Uma universidade, um grupo de leitura, um livro, uma conversa, um evento ou uma ação comunitária podem parecer pequenos diante da dimensão da crise climática. Mas, quando criam espaços para pensar, escutar e agir coletivamente, também fazem parte da construção de novos caminhos.
Porque cuidar do planeta não é apenas mudar a maneira como lidamos com aquilo que descartamos. É também mudar a maneira como nos relacionamos uns com os outros, com o conhecimento, com a cultura e com o lugar onde vivemos.
E, às vezes, uma mudança começa simplesmente quando alguém abre um livro e começa a ler em voz alta.




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